sábado, 22 de agosto de 2009
Oscar Wilde
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto,não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:
metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril".
(Oscar Wilde)
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Onde está a despedida?!
Recebi este texto... e acho que se encaixa muito bem...
ONDE ESTÁ A DESPEDIDA?
ARTUR DA TÁVOLA
Há despedidas para sempre e que não são patentes na hora do afastamento. Não se lhes percebe o estalo da separação, permanente ou temporária, que pode estar no instante de mau humor, na resposta infeliz, na alegria que não se repete ou na palavra que deixamos de dar e receber. Às vezes, está na palavra que dizemos.
Nem sempre as pessoas se separam: esgarçam-se às vezes. Viver esgarça. Despedir-se é sutil, nem sempre aparece. Seres em mutação, vivemos a mudar, sem saber. Na mudança, transforma-se em recordação o que antes era união e vontade, amizade ou convivência. De tudo se faz retrato, álbum, caderno, poema, carta, saudade ou memória. A despedida não é por querer: acontece a despeito. Um simples "até já" pode conter inimagináveis nuncas. Ou sempres. Nada é mais triste que uma fotografia alegre. Quantas despedidas podem estalar dali em diante? Nada pode vir a ser mais enganoso que um simples até logo.
Maravilhosa e cruel a vida! Tudo pode acontecer. As ligações, salvo poucas, fazem-se precárias e falíveis. Nosso destino é preso a acontecimentos não controláveis. Os impulsos, cansaços e as discordâncias são imprevisíveis. E geram despedidas antes inesperáveis. Ninguém sabe de quem se afastará. Nem quais as amizades e amores de toda a vida, nada obstante existam. Raros captam a dor que estala em cada hipótese de despedida. Separar-se contém sempre a hipótese da despedida. Por isso uma dor sempre se infiltra em cada afastamento. Algo se assusta, escondido, em tudo o que se separa. Ainda que para ir ali pertinho e logo voltar.
As grandes despedidas dão-se - contudo - sem que o percebamos. As que sabemos e sofremos não são despedidas completas, pois a saudade e a memória hão de trazer de volta o sentimento genuíno que agora causa dor. As grandes despedidas infiltram-se no cotidiano e nos atos corriqueiros de cada dia, sem serem percebidas. Muitos anos depois, vamos verificar que, disfarçadas em dia-a-dia, ali estavam e estalavam saudades antecipadas, vários nuncas dos quais jamais suspeitamos. Nunca se sabe onde está uma despedida. A não ser muito depois.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Persona

Palco
Quero palavras fáceis
Quero deslizar minha vida em teus olhos
Escorrer minhas lágrimas em tua face
Começar pelo que te agrada
Terminar pelo que te rodeia
Deslumbrar-te com segredos
Vislumbrar-te em meus desejos
Corrigir a tua postura
Envolver-me em tua doçura
Acreditar que tudo é fissura
Que paixão é triste loucura
Que o amor não é para agora
Que este romance não tem hora
Que não existe!
Que não persiste!
Que não afaga, que não abandona
Que não abraça, que não amarga
Que não vinga, que não finca
Que não destrói... Mas, corroe.
Vitral despedaçado
De um louvor nunca pintado,
De um ardor nunca permitido,
De um sabor nunca consentido.
Adoração de contatos fáceis,
De palavras frágeis,
De venturas cruas,
De faltas nuas,
De dores adaptáveis,
De sorrisos escorrendo,
De aplausos transcendendo.
No palco ela vela um amor
Que na vida vai desfalecendo.
Dejavú

Hoje eu beijei a manhã, o sol da manhã apareceu e ainda era noite. Era noite, madrugada quando vi o brilho de teus olhos iluminarem o meu sorriso. Quando entendi que o acaso é para poucos, que tudo na terra está ligado e há de haver sempre um depois para aqueles que desejam.
Eu vi o seu corpo e não pude mais separá-lo do meu, teu beijo me absorveu e envolveu, de repente eu fui e até agora eu não sei se voltei.
Lilliane Holanda
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Dualidade

Diálogos
Eu tenho esquecido
O som da tua voz...
Eu quero frases repetidas,
E sussurros após.
Eu quero roupas limpas,
Frases sujas entre lençóis.
Doses de nicotina,
Eu quero a efedrina
Para acreditar.
Eu quero a diplomacia
Para nunca precisar.
Eu quero o fato
Para consumir o ato.
Eu quero a cólica
Para prevenir a cólera.
Quero conhecer a linha
Para não desviar.
Esquecer o infortúnio
Para não chorar.
Quero você apaixonado
Para nunca amar.
Quero a sorte
Para evitar.
Lilliane Holanda
domingo, 9 de agosto de 2009
Coisa Adolescente
Escondi duas doses de solidão em baixo do meu travesseiro
para não te ter mais em meus sonhos
Escondi meus desejos em doses de lampejos e trovões
para iluminar minhas noites acordada e sempre escuras
quero não te ver, nunca mais te querer
esquecer tuas palavras surdas
tuas cenas de paixão absurdas
nunca mais sentir essa fraqueza
que me rebate as pernas, me embrulha o estômago,
atira em meus joelhos e me joga ao chão,
contrai meu peito e me dói, dói, dói
pareço sempre triste quando vc está por perto
sempre triste e vc sempre tão esperto. liberto
não parece conhecer o amor,
aparece e desaparece
como uma dor de cabeça que não falha,
ardor que nunca sara...
eu que sempre fui tão inteligente...
tão atenta, tão seleta, estou nas mãos da irônia do destino
apaixonei-me não por um homem, sim por um menino
que não sabe o que diz
que não sabe o que faz
que anda por caminhos tortos,
que me fala por palavras incertas
nas mãos do meu irônico destino
eu confesso:
esse amor que tanto amo
é o mesmo que detesto
quando longe me faz falta
quando perto não confesso...
Lilliane Holanda
sábado, 8 de agosto de 2009
Paulo Leminski
Pra que me serve um negócio
Que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
Que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
Se estou tão bem assim,
E o vazio que vai lá fora
Cai macio dentro de mim?
In-tranzi-gente
A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
_____a história de uma estrela
que não tinha namorado.
_____Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
_____dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
_____Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
_____e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
_____A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
_____que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!
Absorção

Tenho sedes imediatas
Quero você agora, tua dose exata,
beber-te neste inverno ardente
Deixar que você me esquente
até que o próximo verão se ponha.
Desejo tua filosofia,
Ler-te em parágrafos
Envolver-te em minha utopia
Quero teus versos
Únicos, primos, todos
Quero o anverso do teu fim.
Quero meia colher de fanatismo
Uma de mistério
E duas de sadismo
Quero dar-te sede e fome
Saciar-te em meus lábios
Possuir-te em limitações impostas
por pura travessura
Quero mel, afago, o teu doce
Quero chupar o teu gosto
Quero alimentar-me do teu cheiro
Quero você e todas as suas metáforas
Um gole de afago, uma gota de suor
Tenho necessidades de consumo inadiáveis,
Quero comer-te dos pés a cabeça
Fodam-se as doses homeopáticas
Quero que toda a dor padeça
Comer-te até o dia em que eu não mais me conheça.
Lilliane Holanda
Quem sou
A mulher que sou
Eu sou uma mulher apaixonada
Que não luta sem espadas.
Que envolve e se resolve,
Que disciplina e contamina,
Que obtém e se contém.
Eu tenho a fúria para a cura.
Eu tenho revolta para a tempestade.
Eu tenho cor para absorver.
Perdão para me perder.
Ilusão para absolvição.
Convicção para voar como um tufão.
Eu tenho o credo para meus mistérios,
Império para derrubar teus castelos,
Sou princesa para suprir tua realeza.
Tenho leveza para suprir teu medo,
Mentiras para descrever mil verdades,
Idade para nada saber,
Coragem para não envelhecer.
Lilliane Holanda
Desespero e Paixão
O desespero da paixão
me tomou como um furacão
doses de amor e tortura
doses de ciúme e lamúria
tenho tantos pesadelos acordada
que perdi a vontade de dormir
tenho tanto medo das tuas falhas
que prefiro nada consentir
tenho tanta vida guardada
que prefiro fugir daqui.
Lilliane Holanda
Condição
Condição
Criar e entender.
Amar e se abster.
Viver e vislumbrar.
Sorrir lágrimas de chorar.
Feridas de displicência,
Antídotos de inocência.
Nada é bonito junto ao mar...
Eu faço música sem acreditar...
Eu vi o futuro e não estava lá.
Cicatrizes são escudos,
Que o tempo não vai apagar.
Tenho sonhos escuros,
Entre muralhas de luz,
Creio no sacrifício, não na cruz.
As rosas que inalas,
Não falam por nós.
As trevas que urgem
Não tocam nossos lençóis.
Não há pecado!
Eu e você...
Nem doce, nem amargo.
Lilliane Holanda
Trecho de uma carta

Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Trecho de uma carta que escrevi recentemente...
"...teria uma boa historia de mártir pra contar sobre motivos de ter te feito mal, mas a verdade é que fui escrota e não tem explicação, pq vc nunca mereceu...
É isso.
Pronto!
agora eu tenho uma pergunta: eu faço alguma diferença na sua vida?
(responda pra si mesmo)
Se sim, me perdoe pra demonstrar o quanto você pode ser maleável e compreensivo com alguém que faz algum tipo de diferença pra vc, mesmo sabendo que esta pessoa não merece.
Se não, me perdoe pq isso não vai fazer nenhuma diferença pra vc, mas pra mim vai, é o único peso que carrego.
O impossível
Corações são triturados diariamente com simples gestos de inexplicável desprezo, as palavras não doem tanto quando você passa a acreditar no infinito, tudo fica tão pequeno que a dor aparece aos olhos como fagulhas de raios, perdidos entre as nuvens do azul maior.
É fácil ter medo, difícil é desistir de sorrir.
O “possível” devora todos os sonhos com suas metáforas tão distantes. O impossível é nosso suporte de viagem, nossa grande desculpa para fugir, “dar o fora” desse lugar dentro de você que te rejeita, que te tritura que te atira verdades geladas em noites claras de solidão. Acende um cigarro, me faz companhia, não quero pensar na vida, não quero mais suportar tantas ironias. Não quero abrigo, quero um brinquedo, não quero outro vício, quero ter sossego, não quero outra vida, só não quero mais tantas mentiras...
O impossível é o que me salva de sofrer mais, que prende meus passos na beira da ponte, que abre minhas asas e me leva para casa, para longe de você.
Lilliane Holanda
Sim, fuga!!!
