Escondi duas doses de solidão em baixo do meu travesseiro
para não te ter mais em meus sonhos
Escondi meus desejos em doses de lampejos e trovões
para iluminar minhas noites acordada e sempre escuras
quero não te ver, nunca mais te querer
esquecer tuas palavras surdas
tuas cenas de paixão absurdas
nunca mais sentir essa fraqueza
que me rebate as pernas, me embrulha o estômago,
atira em meus joelhos e me joga ao chão,
contrai meu peito e me dói, dói, dói
pareço sempre triste quando vc está por perto
sempre triste e vc sempre tão esperto. liberto
não parece conhecer o amor,
aparece e desaparece
como uma dor de cabeça que não falha,
ardor que nunca sara...
eu que sempre fui tão inteligente...
tão atenta, tão seleta, estou nas mãos da irônia do destino
apaixonei-me não por um homem, sim por um menino
que não sabe o que diz
que não sabe o que faz
que anda por caminhos tortos,
que me fala por palavras incertas
nas mãos do meu irônico destino
eu confesso:
esse amor que tanto amo
é o mesmo que detesto
quando longe me faz falta
quando perto não confesso...
Lilliane Holanda
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