quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A-mor -te


A morte
(De Lilliane Holanda)


Fico inerte diante de teus lábios
Vejo neles a insegurança de um futuro incerto,
Que se certo, perfeito.
Satirizas minha dor
Falando de um amor sem amor.
Amei-te e só a ti desejei.
E creio me quiseste,
Mas não o disseste.
E se foi esse sonho,
Nosso sonho já era!
Por ti bebi da quimera,
E morri como morre todo sonho...
Com doce lamento e candura,
De uma alma que só quis ser tua.

Troca - Trecho de uma carta abstrata.


De mim, para mim.

(...)

Lilliane por Lilliane diz: Eu quero conhecer alguém em quem eu me reconheça compatível, alguém que conquiste o meu interesse num olhar, num sorriso, numa frase de impacto ou numa piada sem graça. Eu não quero alguém que me olhe e já deseje me beijar, quero alguém que deseje conhecer quem eu sou, participar da minha vida e que me convide a fazer parte da sua...
Eu quero um amigo (homem ou mulher – não importa!), quero partilhar, dividir, conversar, confessar e estar sempre à vontade ao lado de alguém, CUMPLICIDADE, e que ao acontecer diante de tanta troca, tanto carinho, surja o amor. Que o carinho seja tamanho que a vontade de beijar seja incontrolável, incontestável, que haja tanta doçura, tanta pureza, tanta troca que seja inútil resistir! Que a vontade de beijar não seja só desejo, não venha para suprir e sim para completar, encaixar; que surja de uma vontade espontânea de dar carinho, de demonstrar o quanto você adora aquela pessoa e do quanto necessita pôr para fora todo o êxtase dessa emoção incontestável - que seus olhos não pudessem chorá-la, que suas palavras não coubessem numa gramática, que todos os verbos de repente se transformassem em coloridos adjetivos e tudo que houvesse no mundo fosse um beijo, um selo de troca, uma porta aberta para a alma, olhos fechados de entrega e a certeza de um sorriso frouxo de “valeu apena”.
Dá para entender? Alguém que você queira sempre por perto, não porque precise, apenas porque importa para você.
Aquele amigo que no meio de um abacaxi olha para você e ri porque sabe exatamente o que você está pensando, que no meio de uma briga sua com alguém fica nervoso porque conhece exatamente as próximas palavrinhas sujas e descontroladas que sairão dessa sua boquinha santa (!), que sente ciúmes de tua atenção e não de te possuir como um brinquedo qualquer. Não quero alguém para assistir filmes, quero alguém que saiba quais escolher. Alguém que escute sobre os meus pânicos, tristezas, insônias e que se sinta livre para compartilhar suas neuroses também. Que não me analise, apenas converse...
Preciso de um amor-amigo, não me serve a simples paixão.
Quero rir enquanto reclamo de seus arrotos, quero duas escovas de dentes no meu banheiro, quero xingar peidos fedorentos. SIM! Eu quero reconhecê-los em meio a uma multidão de bundas suspeitas! Quero a vida como ela é, o cotidiano e a luta diária por mudanças. E mais que tudo não quero TER alguém, não quero ser objeto de posse de ninguém, quero apenas que exista alguém que deseje estar de mãos dadas comigo, viver momentos, uma história, enquanto a vida acontece.

Lilliane Holanda.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Muitas Vezes


Muitas vezes, tantas noites, te vejo sonhando, te sinto suspirando...

E te vejo nos meus braços, amargos, largos em desejos de te ter, e com esses mesmos braços te afasto. Desgasto-me em quereres desgovernados...

Me vejo cismando com teus olhos...É nostálgico viver nessa inércia do sentir.

Lilliane Holanda.

Sol- to no ar


Solto no ar

Vontade de fechar os olhos,
deitar teus braços nos meus,
abrigar o teu sorriso no meu seio,
flutuar deixar a maré levar
não reagir, à nada contrariar.
Não sei quem me leva se as nuvens,
se teu sorriso, ou se o luar...
Sonhar e não se dar
é anjo sem asas
solto no ar,...

Lilliane Holanda, 2007.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DI-A-MANTE


DI-A-MANTE

A natureza crua do dia
Faz da noite degustação constante.
O dúbio, o diário, o doravante...
Blasfémia em acordes,
Sinfonia inquietante.
-O momento oportuno-
-O taciturno amante-
mistura ambígua
adorável DIA-MANTE.


Escrito singelamente a um amigo, numa folha de dicionário, por um pensamento sobre um comentário corriqueiro de lágrimas, dias, amantes e diamantes.
Guilherme, obrigada por me resgatar a beleza do pensar...
Dedicado a você, apesar de não te amar (nada pessoal)!!!
:)
xêro!

Lilliane Holanda